Área de Concentração

HISTÓRIA, REGIÃO E IDENTIDADES

Na caracterização da área, enfatizamos, em primeiro lugar, o compromisso com a disciplina História. Isto é, valorizamos e praticamos a interdisciplinaridade sem, contudo, abrir mão de uma inequívoca filiação aos métodos e pressupostos da História. Não tememos, por certo – embora respeitemos a conhecida ressalva feita por Le Goff – uma dissolução da História em suas coirmãs, ciências igualmente humanas e sociais. Na verdade, se o alargamento dos problemas, métodos e objetos da História aconselha (praticamente exige, diríamos) o mais amplo diálogo e cooperação com as demais ciências sociais, isso constitui antes de tudo, a nosso ver, um fortalecimento da perspectiva essencialmente histórica.

Com relação a Região, muito longe estamos, por certo, da idéia (aliás pueril) de que regiões constituam algo dado, seja pelas condições naturais, seja por supostas determinações sociais rígidas e inflexíveis. Encaramos as “regiões”, ao contrário, como complexas construções históricas, nas quais intervém uma multiplicidade de interesses e perspectivas não raro conflitantes. Não podemos, contudo, fechar os olhos para o fato de que os processos históricos ocorrem sempre em determinados espaços, conformando experiências com ritmos, características e abrangências muito distintas, seja qual for a escala de observação que se venha a adotar (“regional”, nacional, global).

Em outras palavras, consideramos perfeitamente legítimo um programa de pesquisas que se proponha a debruçar-se, com alguma prioridade, a temáticas mais ou menos vinculadas a determinados espaços (como, por exemplo, aquelas vinculadas à experiência histórica vivida pela região em que se situa nossa universidade) – sem, contudo, que isso signifique o banimento do exame de temáticas referidas a outros espaços. Desse modo, ao inserirmos na enunciação de nossa área de concentração a palavra “região”, estamos apenas sinalizando a valorização e o acolhimento de vários pontos fortes da pesquisa histórica efetuada na UFMS e, depois, na UFGD, isto é, núcleos problemáticos para os quais muitos de nossos pesquisadores têm dirigido sua atenção principal e que constituem, de certo modo, a marca, a identidade da UFGD. E se tais problemáticas podem ser eventualmente consideradas “regionais”, convém assinalar, por outro lado, que elas têm sido tratadas por nossos pesquisadores de um modo que, ademais de eliminar quaisquer possíveis vieses estreitos ou provincianos, conduz, ao contrário, à formulação de conceitos e modelos capazes de contribuírem para o avanço do conhecimento histórico em âmbito nacional e internacional.

O termo Identidades, enfim, significa praticamente um desdobramento dos raciocínios já expostos, remetendo em primeiro lugar à ideia de que os intensos movimentos de povos, nas vastas e imprecisas fronteiras que incluem o atual estado de Mato Grosso do Sul, condicionaram e condicionam a configuração das identidades nacionais, regionais e étnicas neste centro-sul da América do Sul. Tais processos abrem aos estudos históricos um amplo leque de possibilidades, favorecendo a identificação de inúmeras problemáticas de interesse geral para a História – o que, todavia, não significa que nosso Programa deixa ou deixará de acolher o estudo de identidades referidas a outras épocas, lugares, grupos ou sociedades.